A CONFIANÇA ENQUANTO PRESSUPOSTO INERENTE À CULTURA

Na azáfama do quotidiano, quantas vezes paramos para refletir: “Onde inovei hoje? O que fiz de diferenciador?” E quantas são as vezes em que quase instantaneamente nos respondemos: “Tive medo de errar, por isso não tentei”. Onde estava a nossa confiança que nos impulsiona para arriscar?

Parei para refletir sobre este tema num dia em que eu própria não arrisquei. A confiança tem desempenhado um papel importante na sociedade e na evolução das empresas. Encarada como um valor ou crença inerente a um relacionamento (com colegas, chefias, organizações), faz parte do nosso sistema límbico, que é responsável pelas emoções e comportamentos sociais. Isto traduz-se, por exemplo, quando nos inclinamos a confiar mais nas recomendações de alguém de quem gostamos do que alguém com quem não partilhamos quaisquer valores.

Mais profundo… Contamos com aqueles em quem confiamos para nos aconselhar na tomada de decisão. Por exemplo, um colega que já trabalha connosco há vários anos e conhece a nossa forma de ser e estar na organização. A confiança permite-nos arriscar, por sabermos que temos um “suporte” que nos ampara se cairmos, e constrói-se através do suporte dos líderes da organização. Estes são os verdadeiros agentes que servem como “modelo” dos seus colaboradores. Quando não há a perceção de um ambiente seguro, dificilmente se torna possível experimentar e inovar já que ficamos agarrados à nossa zona de conforto. “Por que havemos de arriscar se podemos falhar e somos penalizados quando falhamos?

Assim, a cultura de uma organização é a nossa rede. Uma cultura de confiança estimula-nos para a expansão, para apostar na nossa curiosidade intelectual e ir mais além do que as nossas próprias competências parecem ditar. A nossa esfera de conhecimento alarga por sabermos que temos uma “rede psicológica” para nos sustentar se cairmos. Garantidamente vamos cair, vamos errar. Mas o que acontece nas organizações que não têm esta rede? As pessoas não arriscam, não correm o extramile e não exploram a envolvente a fundo. Por este motivo, a confiança deve ser um pressuposto inerente a qualquer cultura que pretenda estimular os seus colaboradores a trabalhar de forma mais livre. Uma cultura que é respirada por todos e uma inspiração para quem acompanha nos “bastidores”.

Esta perceção de suporte e ambiente seguro garante que qualquer colaborador se desafia a ir mais longe em prol da organização, estimulando as suas competências naturais e fortalecendo aquelas que requerem esse desenvolvimento. Uma cultura pautada por princípios de confiança atua como reforço positivo para os seus colaboradores se superarem e agirem como agentes de contágio de uma evolução nesta linha de pensamento. “E se errarmos?” Assumimos o erro e tentamos novamente, mas desta vez, melhor!

“Tudo desde sempre. Nunca outra coisa. Nunca ter tentado. Nunca ter falhado. Não importa. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor.” – Samuel Beckett                                                  

Joana Fernandes